Louco é quem me diz

Doido. Maluco. Lelé da cuca. Fraco dos miolos. Até mesmo o velho sinal do indicador dando voltas e mais voltas ao redor da orelha que aprendemos quando ainda muito novos. Os sinônimos para a Loucura são diversos e dos mais criativos. Como se já não bastassem as palavras, o corpo também reage, maltrata e rotula, às vezes involuntariamente, às vezes com um sádico prazer proposital. Um abaixar de cabeça; uma palavra gritada a plenos pulmões, afiada feito uma navalha; as pernas que mudam de calçada; o sinal da cruz que é invocado com fervor. E o pior de todos os sinais corporais: o olhar de piedade.

“Gentileza gera Gentileza”, diz a célebre frase colada logo na entrada dos ônibus de linha de Campina Grande. Aquele pedaço de adesivo com as pontinhas já enroladas e sujas pelo tempo já acompanhou as idas e vindas de milhares, talvez milhões de pessoas. Muitas sequer prestaram atenção na mensagem, outras deram um pequeno sorriso de concordância e seguiram seu caminho sem sequer imaginar que por trás daquela singela mensagem cheia de significados está a mente de um homem de 79 anos nascido em São Paulo. Um louco. O Profeta Gentileza.

Junto dele, vários outros nomes abrilhantam a história da loucura: Estamira, Arthur Bispo do Rosário, o próprio pintor Van Gogh foi considerado louco, como também o poeta, ator, escritor, dramaturgo, roteirista e diretor de teatro francês – ufa! – Antonin Artaud. Há também os loucos da ficção que nos abrilhantam com sua maneira de pensar. Como não falar do Cavaleiro Andante Dom Quixote de La Mancha? E do homem do chapéu mais famoso de todos os tempos, o Chapeleiro Maluco? Para os que gostam de quadrinhos, temos o Coringa e sua contraparte Arlequina. Esses são apenas uma pequena amostra de tantos e tantos outros nomes.

Lidar com a loucura não é fácil. De fato, a história está ai para provar isso. São mais de dois milênios de tentativas e retentativas de desvendá-los. Dois mil anos de filósofos, médicos, matemáticos, poetas, psiquiatras e psicólogos que se debruçaram sobre a loucura e fizeram dela seu objeto de estudo por toda uma vida, sem saber que a resposta estava tão próxima quanto um estender de dedos. Tudo que eles precisavam fazer era se debruçar e ouvir com atenção. Nós ouvimos.

Foto: Mayara Bezerra/ Kermelly Santos

Por: Luiz Felipe Bolis (Repórter)/ Alessandra Clementino (repórter colaboradora)/ Betânia Diniz (repórter colaboradora) – Iara Alves (editora)