Folkcom discute a folkcomunicação nas práticas pedagógicas

É tarde de quinta-feira. A data, 28 de setembro. No auditório I da Central de Integração Acadêmica (CIAC) do Campus I da UEPB, as paredes brancas se alegram com as cores de um cartaz que anuncia: XIV Seminário Os Festejos Juninos no Contexto da Folkcomunicação e da Cultura Popular. Aos poucos as cadeiras vazias vão sendo ocupadas, em sua maioria, por corpos e mentes ávidas pelo fenômeno do folclore, da comunicação e da pedagogia.

A atmosfera do local aponta que uma mesa-redonda com sete expositores e uma mediadora está prestes a ocorrer e que se espera que um rico intercâmbio de ideias e novas perspectivas surjam em um diálogo acerca da “Folkcomunicação e Cultura Popular nas Práticas Pedagógicas de Educação Básica.”

A segunda mesa-redonda que constitui o XIV Folkcom promete reunir um emaranhado de caminhos que, mesmo divergentes, encontram-se em uma mesma rota: a folkcomunicação. Por meio da educação, da capoeira, da dança, da literatura e dos relatos de vida, um novo horizonte é vislumbrado pelos intelectos daqueles que vieram de terras próximas ou de cantos mais longínquos.

Aos poucos vai chegando gente, grande parte constituída por estudantes e professores do curso de jornalismo da UEPB. Um a um. Passos tímidos cruzam a porta de vidro que separa o auditório de todo o restante do espaço da universidade.

O mestre de cerimônia convida cada personalidade a compor a mesa. A primeira da lista é a professora Goretti Maria Sampaio de Freitas, que irá ocupar o papel de mediadora. “Não é uma tarefa fácil!”, externa uma de suas primeiras frases, carregada em si da grande responsabilidade de se intermediar uma discussão que deveria estar circuncidando outros espaços que não somente o acadêmico.

À medida que seus nomes são chamados, compõem a mesa os pesquisadores Ana Claudia Dias Ivazaki, Assis Souza de Moura, Hipólito de Sousa Lucena, Ione dos Santos Severo Formiga, Rilma Sueli de Sousa, Giselle Gomes da Silva Prazeres Souza e Patrícia Cristina de Aragão.

A Mesa é composta e o início das falas se dá a partir de uma verdadeira aula sobre a capoeira angola e dos relatos de experiência com crianças, narradas pela professora Ana Ivazaki, que no ano de 2011 viu-se diante do desafio de ministrar aulas de capoeira para seus pupilos – crianças com a faixa etária de 2 e 3 anos de idade, com o objetivo de desenvolver discussões sobre diversidade cultural, respeito e equidade desde a educação básica.

Na perspectiva de também trabalhar com a valorização da cultura popular, Ione Severo, representante da 13ª Gerência Regional de Educação do Estado da Paraíba, faz uma amostra do projeto que coordena, intitulado Cordelteca, que percorre escolas e eventos na perspectiva de despertar nas pessoas o hábito de se ler cordel.

Na sequência, o professor universitário Assis Sousa de Moura relatou a sua experiência de vida enquanto um aluno que pode, na infância, conviver com educadores dispostos a criar novos caminhos pedagógicos para repassar conhecimentos por meio da ludicidade, rompendo as barreiras de uma “escola pronta”.

Gisele Gomes, mestranda pelo programa de Pós-Graduação em Extensão Rural e Desenvolvimento Local (Posmex), da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), apresentou um estudo realizado com jovens integrantes da Quadrilha Tradição e que através de lutas e esperanças eles se mantêm frente às apresentações Nordeste a fora.

Através do verbal e do não-verbal, a fala e os gestos, Hipólito Lucena, professor universitário, demonstrou como o corpo pode ser um importante veículo de comunicação. Já Rilma Suely de Sousa Melo e Patrícia Cristina de Aragão, representante da Secretaria de Educação de Campina Grande (SEDUC-CG) e professora universitária, respectivamente, trouxeram em suas falas a importância da diversidade sociocultural para a educação e a presença da folkcomunicação nos diversos segmentos que compõem a vida em sociedade, desde a rotina diária em uma feira pública até outros campos como o ambiente educacional.

Falas. Gestos. Experiências. Relatos. Tudo e todos trouxeram consigo uma grande carga de conhecimento e de subjetividade para transmitir a infinidade de meios pelos quais a folkcomunicação e a cultura podem se unir às práticas pedagógicas.

*Fotos: Assessoria de Comunicação Folkcom

Por Luiz Felipe Bolis (repórter) – Luana Gregório (editora)