Campina sobre trilhos

A data marcada pelo calendário era 02 de outubro de 1907. Pela primeira vez, a linha ferroviária recém construída em Campina Grande sob supervisão do prefeito dinamarquês Cristiano Lauritzen era inaugurada por uma máquina de número 3 da Great Western. Os ventos trazidos pela Maria Fumaça foram essenciais para a transição de dois tempos: pré e pós-cultura algodoeira. Como explica o professor e historiador Josemir Camilo de Melo, “de início, o trem foi utilizado apenas para fins comerciais”.

O trem percorreu as estações pelo interior de Campina Grande, chegando até mesmo a ir em direção a destinos intermunicipais, como Cabedelo/PB, e interestaduais, como Recife. Cruzou os trilhos sem parar, mas em um certo momento estagnou, tendo como última estação a década de 1970. Do passado, restam as lembranças do seu apogeu. No presente, o trem “ressuscita” apenas na época do São João, em que transporta passageiros de Campina Grande até o distrito de galante sob o nome de Trem do Forró.

Em pleno 2017, em que se celebra 110 anos da chegada do trem na cidade, as locomotivas que poderiam estar a pleno vapor funcionando como uma solução viável para as carências em quesito de mobilidade urbana estão paradas. Os trilhos, construídos inicialmente para suportar o peso das locomotivas, vêm sendo encobertos pela terra nos quatro cantos da cidade. “Não existe demanda para a circulação de trens em Campina Grande no momento”, foi o que concluiu um estudo feito pela Prefeitura Municipal do município juntamente com o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e outros órgãos.

No entanto, a história do trem na Rainha da Borborema não teve um ponto final, para alegria dos campinenses. O secretário de gestão e planejamento do município, André Agra, informa que outros estudos estão sendo realizados para a implantação de um sistema de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), em virtude da melhoria da mobilidade urbana na cidade, congregando algumas áreas como o Centro, Bodocongó, Cidade Universitária e o Aluísio Campos, um bairro que está em construção.

Esta nova perspectiva para a malha ferroviária da cidade surge como uma proposta para o plano Campina Grande 2035. Resta ter esperanças de que os apitos do trem voltem a balançar a Rainha da Borborema e a trazer de volta os ares de desenvolvimento e de modernização para a metrópole com o segundo maior índice de habitantes da Paraíba.

A malha ferroviária causou grande impacto em Campina Grande e pode retornar a funcionarFotos: Luiz Felipe Bolis

Luiz Felipe Bolis (repórter) – Ana Flávia Nóbrega (editora)