Moenda: 38 anos de persistência

Há 38 anos o Grupo de Tradições Folclóricas Moenda persiste as adversidades e fortalece a cultura popular na Paraíba. O grupo foi fundado em 1979, no município de Areia, Brejo paraibano, como um projeto de extensão da Universidade de Agronomia do Nordeste, mais tarde, Universidade Federal da Paraíba (UFPB). No ano 2000, o grupo se desvinculou da Instituição e passou a ser efetivamente uma Associação.

Atualmente, o grupo é formado por cerca de 12 integrantes que preservam, como o próprio nome diz, as tradições folclóricas, através das danças como o xaxado, o coco de roda, ciranda, carimbó, cateretê, danças gaúchas, samba e o maracatu adaptado para o palco, que é caracterizado por não ser um cortejo e sim uma coreografia de palco.

Além de preservar as manifestações culturais, a Associação Moenda busca, através do seu nome, enfatizar a história do município de Areia. Ao buscarmos no dicionário o significado da palavra Moenda encontramos a seguinte definição: “Mó de moinho ou conjunto de peças num engenho que serve para moer ou espremer certos produtos”. Foi a partir disso, que surgiu a inspiração do nome, já que Areia, ao longo da história, consolidou-se como umas das grandes representantes estaduais da produção de cachaça sendo, atualmente, berço do Engenho Triunfo.

Apesar do nome, Grupo de tradições folclóricas Moenda, o atual coordenador, Joseph Silva, 30, explicou que o grupo trabalha com projeções folclóricas, que é justamente quando modifica e acrescenta em algum ponto da dança folclórica, mas não deixando de transmitir sua raiz, sua essência.

Chapéu de palha, couro, alpercatas, vestido estampado, fazem do figurino marca registrada do grupo, que tem como inspirações artísticas Marinês, Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Chico César e alguns grupos como Bongar e Caiana dos Crioulos. “Esse repertório musical do grupo é muito rico e a gente vai adaptando para cada dança, porque como os meninos tem que adaptar a dança, a gente precisa adaptar a música também. A gente vai misturando, por exemplo, eu posso cantar um estilo no xaxado e no coco cantar um estilo diferente, cada um vou colocando uma característica diferente”. ressaltou o estudante de Jornalismo, cantor e vice-diretor do Grupo Moenda, Yan Caio, 19.

Essa característica autêntica e de raiz faz o grupo se destacar nas suas apresentações, mesmo sendo difícil chamar a atenção do público, principalmente do jovem, considerando a cultura e a intervenção de outros estilos musicais dentro das festas e manifestações artísticas e culturais. Apesar disso, o Moenda vem resistindo e continua encantando diversas pessoas por onde passa.

“O que nos chama mais atenção nisso tudo, é a valorização que ainda nós temos, mesmo tendo essa dificuldade toda das pessoas quererem esquecer a parte tradicional que o grupo resgata. Chegamos nos lugares para nos apresentar e tem pessoas que esperam, mesmo que a gente seja o último, porque querem ver o Moenda dançar. Querem ver o nosso coco de cacete, porque é uma forma diferente de fazer o coco. Toda essa valorização é o que sustenta a gente pra fazer sempre”, disse Yan.

Entretanto, o grupo vem sofrendo grandes dificuldades para se manter, sendo uma das principais, a escassez de participantes e o apoio financeiro, já que não contam com patrocinadores e desde 2013 não recebem nenhum incentivo da prefeitura. “Atualmente nós temos por volta de 10 a 12 integrantes, então tá uma situação bem caótica por conta disso e desses, a maioria é da parte musical. A parte de dança é que a gente vem sentindo dificuldades, porque alguns saíram por questão de trabalho, de estudar em outras cidades, outros perderam o interesse, e a gente também enfrenta uma certa resistência a meninos dançarem na cidade, no grupo”, contou Joseph.

Mesmo com as dificuldades, o Moenda já se apresentou em diversas cidades da Paraíba, em estados como Pernambuco e Rio Grande do Norte, festivais e eventos culturais, entre eles: Festival de Cultura Passa e Fica (RN), O Encontro Nordestino de Xaxado (PE) e Caminhos do Frio (PB). Recentemente participou do FIC (Festival de Incentivo à Cultura Augusto dos Anjos), em parceria com grupos da cidade de Bananeiras (PB).

Além preservar através da arte as tradições e lembranças do povo nordestino, o grupo traz na veia algo que vai além das apresentações, traz a responsabilidade social, com os próprios integrantes incentivando não apenas o ensaio, o mecânico, mas o valor educacional de conhecer, através de oficinas, o porquê das danças, o porquê de preservar. O Moenda resiste num pedacinho de terra, cercado de estilizado, mas continua levando a canção da saudosa Marinês: “Não ligo, faço, aconteço. No outro dia eu esqueço pra de novo começar a minha vida sem chorar. E quem quiser pode falar, falar, falar, falar, falar, falar, falar… Que eu não vou mudar.”

Por Andreza Valdevino (repórter) – Luana Gregório (editora)