Fé e voluntariado: a receita para a prática da solidariedade

Reduto de fé e esperança, a Casa de Deus é um ambiente onde a compaixão e o amor ao próximo estão sempre em pauta. E foi com o intuito de expandir um trabalho de auxílio aos mais necessitados, que nasceu, em julho de 2015, a Pastoral Social da Paróquia Sagrada Família.

A partir de pequenas doações feitas na igreja matriz, situada no bairro do Rocha Cavalcante, surgiu a ideia de ampliar a boa ação e torná-la um projeto mensal de auxílio para famílias em situação de risco. Com garra e determinação, 25 pessoas integravam a primeira equipe formada pela iniciativa, que atendia inicialmente cerca de 30 famílias carentes de bairros distintos da cidade.

A união ancorada no princípio “Fazer o bem sem olhar a quem”, está de pé há quase dois anos e hoje conta com um time de 40 voluntários, que vai às ruas e intervém pelos mais necessitados. Mais de 80 cadastrados, em sua maioria, dependentes de reciclagens e auxílios do governo, são beneficiados mensalmente com uma cesta básica de alimentos.

Mas o trabalho tem a proposta de alimentar não somente o corpo, como também a alma. Inúmeros casamentos e batizados já foram realizados a partir da assistência do grupo, que tem a evangelização como essência e prioriza a propagação da Palavra de Deus ao próximo. Para os voluntários, dessa forma é possível encontrar a esperança, muitas vezes perdida na humanidade, onde a fé e o amor ao próximo conectam pessoas em busca de um bem maior, todos juntos em uma árdua, porém terna caminhada.

Entre o cadastramento dos beneficiados e a entrega das cestas, uma grande empreitada espera pela equipe. Devido à grande demanda que requer cada beneficiado, atualmente a Pastoral Social não inclui mais ninguém em seus arquivos. O time de voluntários se dedica exclusivamente ao suporte às 89 famílias que fazem parte do projeto.

A parte prática do trabalho é dividida em etapas realizadas semanalmente; reuniões com o grupo, visitas às famílias, coleta de alimentos nas ruas, missa da partilha, produção das cestas e distribuição das mesmas. Nas reuniões, o grupo discute as problemáticas encontradas durante todos os outros processos e debate sobre temas internos, sempre a procura de oferecer uma melhor assistência aos cadastrados.

Com o intuito de conhecer mais de perto os beneficiários da ação, os voluntários visitam mensalmente um número de famílias, pré-estabelecido de acordo com a localidade de cada uma. A finalidade dessa etapa é identificar se as famílias, de fato, se encaixam no perfil do projeto e buscar melhorias para cada uma delas particularmente.

Na coleta de alimentos, a equipe se divide em duas e sai às ruas acompanhadas cada uma por um carro de som, que dá o suporte na divulgação do trabalho e facilita todo o processo. O objetivo do grupo é pedir de casa em casa e arrecadar o máximo de alimentos possível para doação.

No segundo domingo de cada mês acontece a missa da partilha, parte complementar da ação, onde o padre explica a importância do projeto e pede a assistência dos fiéis para a composição das cestas. O auxílio fica a critério do doador. Pode vir em forma de roupa, calçados, alimento ou produtos de higiene pessoal. Toda ajuda é bem-vinda.

Após a arrecadação de todos os itens, ocorre a separação e organização dos donativos. Durante esta etapa, a equipe se reúne mais uma vez para a confecção das cestas básicas e organização da igreja para a recepção dos beneficiários, que ocorre no dia seguinte.

O encerramento desse ciclo mensal acontece durante a entrega das doações juntamente com um café da manhã servido no salão paroquial. As famílias são recebidas na igreja para um momento de oração e evangelização e em seguidas são dispensadas, já orientadas acerca da data da próxima distribuição.

Por Maria Amanda Sousa (repórter) – Iara Alves (editora)