Contando a história de um lugar de histórias

O que é um museu? Um lugar incumbido de guardar coisas antigas de uma sociedade que se diz nova, mas que na verdade vive sob os mesmos dilemas do passado? Um reduto da história? Ou como aponta o dicionário Michaelis, uma coleção ou conjunto de coisas raras? Ultrapassando termos e exprimindo sentimentos, um museu é uma vida, a vida que qualquer visitante vê no que está sendo exposto, mas cuja finalidade é ser enxergada, apreendida e sentida.

O que atrai a atenção do público talvez não seja somente o fato de conhecer outras realidades, mas principalmente a sua. Visitantes que têm sede de aprender quem é ou foram outros cidadãos, por quais caminhos seguiram, se obtiveram sucesso ou não, e que destas constatações ousam fazer as escolhas do dia a dia, mesmo que inconscientemente.

Desde que o Memorial Jackson do Pandeiro, em Alagoa Grande, foi inaugurado, no dia 19 de dezembro de 2008, centenas de pessoas adentraram à casa azul localizada na rua Dr. Apolônio Zenaide, tais como cidadãos alagoa-grandenses, turistas de outros estados brasileiros e de outras nacionalidades, além de estudantes do município e de cidades próximas. Todos os dias, das 8h às 17h, o museu abre as suas portas, esperando por pessoas interessadas pela trajetória do ‘rei do ritmo’.

Discos, acessórios, instrumentos musicais, fotos, agendas, contratos de trabalho e peças de roupas compõem o acervo do Memorial, cujo espaço já serviu de prefeitura e escola, mas nunca como lugar de morada de um dos mais conhecidos filhos de Alagoa Grande, ao contrário do Museu Casa de Margarida Maria Alves, que, ao longo de muitos anos, foi a residência da líder sindical.

Para Gabriele Nunes, 31, que trabalha no Memorial Jackson do Pandeiro, “é sempre um prazer receber as pessoas, divulgar um pouco de história de vida e apresentar parte da obra de um tão ilustre artista, que nunca negou suas origens e cuja música continua viva e pulsante até os dias de hoje”. É por meio desta fala de uma funcionária e admiradora do ‘Rei do Ritmo’ que se pode constatar uma das teses mais verdadeiras a respeito dos museus: eles são um reduto vivo de vidas e sentidos.

Tanto na parte interna como na externa, o museu reflete aquele a quem representa: Jackson do PandeiroFotos: Luiz Felipe Bolis

Por Luiz Felipe Bolis (repórter) – Iara Alves (editora)