Encenação da Paixão de Cristo encanta povo são-vicentino

A época da Semana Santa, período que traz à tona a morte e ressurreição de Jesus para os cristãos – sobretudo os católicos, já passou, mas para quem esteve na cidade de São Vicente do Seridó no último dia 14 ainda está muito viva na lembrança. É que no pequeno município do Seridó Oriental paraibano, que fica a 200 quilômetros da capital João Pessoa, a comunidade católica local expôs para centenas de pessoas o sofrimento e a crucificação de Jesus Cristo.

Com um elenco composto por mais de sessenta pessoas, a peça foi realizada em frente à Igreja de Nossa Senhora das Graças na Sexta-feira Santa, dia em que, segundo a tradição católica, aconteceu a morte de Jesus. O grupo foi formado com a união dos participantes do grupo São Vicentino ‘Jovens Católicos Chamados a Servir (JCCS)’, o Terço dos Homens da cidade, a comunidade católica Santa Clara, além de alguns integrantes da quadrilha junina “Explosão Vicentina”, que é coordenada por Emanuel Souza, um dos integrantes da encenação.

Ao longo da apresentação o que se viu nos semblantes das pessoas presentes era pura emoção. O choro era praticamente inevitável de segurar, uma emoção que contagiou todo o elenco antes, durante e após a encenação. Essa energia especial uniu a todos em um só sentimento. Relembrar todo aquele sacrifício fez com que a comunidade e os atores e atrizes repensassem a vida a partir do sofrimento.

Wandercleydson Farias, responsável por interpretar Jesus Cristo, lembra a importância dessa conexão com a comunidade. “A gente como cristão deve buscar mais ovelhas para o nosso rebanho. Essa realmente é a palavra que tem que se dizer”. Ele destaca ainda a importância do momento. “Interpretar a maior prova de amor que já existiu na história não é um dever fácil”.

A força de vontade e compromisso de todos os participantes é um aspecto que deve ser destacado, que trabalhou duro para realizar o espetáculo, mesmo com pouco apoio financeiro. Os integrantes tiveram que se responsabilizar por suas vestimentas, além de ser desdobrarem para comparecerem aos ensaios, pois o elenco foi formado por várias pessoas que estudam, moram ou trabalham em outras cidades, a exemplo de Olivedos, também na Paraíba.

Maristane Santos, uma das idealizadoras da peça, explica essas dificuldades dos ensaios. “Por incrível que pareça não teve um ensaio que a gente juntou todo mundo, sempre ficava faltando alguém.” Bastante emocionada ela lembra, contudo, que todos se esforçaram ao máximo e formaram uma verdadeira família. “Eu amo cada um deles incondicionalmente como se fossem filhos da minha carne. Nós temos uma amizade muito grande, é uma amizade de irmãos em Cristo”.

A emoção passada foi tão grande que os próprios atores confessaram ter que se concentrarem ao máximo para prosseguirem com suas atuações. É o caso de José Roberto, que interpretou Pôncio Pilatos. “Na hora que entra Jesus e os discípulos para o primeiro milagre, quando o narrador falou aquilo ali veio aquele momento de emoção que você tem que se revestir do personagem para conseguir seguir em frente com a peça”.

Ao fim das contas, os fortes aplausos da plateia não deixaram dúvidas de que a mensagem de amor e compaixão proposta pelo espetáculo havia sido transmitida com êxito.

Momentos da encenação da Paixão de Cristo em São Vicente do Seridó-PBFotos: Rogério Silva

Por Rogério Silva (repórter) – Eloyna Alves André Almeida (editores)