Projeto de Capoeira ajuda a transformar vidas na cidade de Sumé

Crianças, jovens e adultos praticam Capoeira na Associação Nação Regional Foto: Augusto Júnior

Era uma noite de sexta-feira. No céu, sinais de que a chuva se aproximava na pequena cidade de Sumé, localizada no Cariri paraibano, fato esse que não impediu crianças e adolescentes de caminhar em direção à Associação Nação Regional, que fica no bairro Alto Alegre, com um intuito bem definido: praticar Capoeira.

No espaço, o som do berimbau e os pandeiros ecoa e se mistura com os cânticos e as palmas dos alunos que se alinham em uma roda composta por meninos e meninas que fizeram da Capoeira Regional um instrumento de transformação social e de mudança de vida.

O projeto da Capoeira Regional foi idealizado e é desenvolvido pelo professor e presidente da Associação Nação Regional, Massixte Batista, 38 anos, que se dedica desde os 20 anos a essa manifestação afro-brasileira que envolve esporte, luta e cultura popular, além de simbolizar resistência e liberdade.

Foi em junho de 2010 que Massixte conseguiu, por meio do programa Mais Educação e Mais Cultura do Governo Federal, dar o pontapé inicial e desenvolver o projeto de Capoeira na cidade, que beneficia em torno de 40 alunos.


Associação Nação RegionalFotos: Augusto Júnior

Mas para tocar o projeto, o professor Massixte Batista enfrenta algumas dificuldades, a exemplo da falta de recursos financeiros para gastos com eventos, uniforme e transporte. Para driblar esses empecilhos, ele conta com o apoio dos sócios da Associação, que contribuem com uma taxa mensal de apenas R$ 10 para ajudar a pagar o aluguel do espaço onde acontecem as aulas de Capoeira, as contas de energia e a água do local. De forma coletiva, o projeto resiste e se mantém vivo.

“A grande maioria dos sócios é de baixa renda e as crianças são carentes. Então a gente patrocina elas por não terem condições de pagar a quantia”, pontuou Massixte.

Além desses problemas, Massixte lamenta o fato de ainda existir o preconceito em torno da Capoeira, tida por muitos como “vagabundagem”, o que dificulta a abertura para mais apoio e, consequentemente, que mais atividades sejam desenvolvidas para as crianças, adolescentes e adultos beneficiados pelo projeto.

Apesar de tudo isso, a ação já colhe muitos frutos positivos e demonstra que a Capoeira é mesmo transformadora. É o caso de Cícero Breno, 20 anos, que se formou na Associação Nação Regional e hoje compartilha o que aprendeu com o professor Massixte dando aulas para cerca de 20 crianças e adolescentes em Sumé.

“A Capoeira traz algo melhor para as pessoas. Como você pode ver, tem várias crianças e adolescentes que estão fora de perigo, não estão nas drogas ou fazendo coisas que não deve. Então a Capoeira faz esse lado (social) muito bem”, destacou o professor Massixte, acrescentando que, a exemplo de Cícero, várias outras pessoas puderam ter novas perspectivas de vida a partir das aulas de Capoeira, o que para ele é algo muito gratificante.

A satisfação com o trabalho realizado pela Associação Nação Regional no bairro é destacada pela agricultora Girlene Santos, 33 anos, que praticou o esporte por cinco anos e hoje incentiva os seus quatro filhos a participarem do projeto.

Além de dar as aulas de Capoeira, o professor Massixte promove diversas atividades que são realizadas tanto na Associação quanto em outras localidades do município.

Serviço 

Você pode acompanhar o projeto desenvolvido na comunidade, através da página da Associação no Facebook, ou visitar o espaço no bairro do Alto Alegre, em Sumé. As aulas acontecem de segunda a sexta-feira, em turnos diferentes. Para as crianças, das 18h às 19h30, e para os adolescentes e adultos das 19h30 às 21h.

Confira abaixo alguns momentos da Roda de Capoeira na Associação Nação Regional:

Por Luana Gregório (repórter)  –  Eloyna Alves André Almeida (editores)