A história de Terezinha Evangelista – Seguindo adiante

No ano de 1959, Seu Francisco Evangelista e Dona Maria Laura já tinham nove filhos. Eram nove bocas pra cuidar. Mas para a família simples do bairro da Liberdade em Campina Grande, como gente humilde, nada faltava. Não havia luxo, mas tinha sempre o que comer, vestir e dignidade pra se viver. Dona Laura, com vergonha e constrangida pelo preconceito, tentava esconder com um avental a nova gravidez que despontava aos quarenta e seis anos de idade. Ela temia os olhares curiosos das pessoas, pois sua nora também estava grávida. Nascia a caçula da família: Teresinha Evangelista. Veio assim mesmo, para quebrar padrões.

Na infância, tinha a companhia dos sobrinhos em suas brincadeiras, pois a diferença de idade entre ela e os irmãos era grande. As recordações das bonecas de pano, aquelas bruxinhas de feira, dos móveis de madeira, das panelinhas de barro, tudo despertava na menina um senso de cuidado, de família. Como a mãe tinha sempre muito afazeres, coube ao pai o papel de laço afetivo mais forte. Mesmo grudada na barra da saia da mãe, por quem foi amamentada até os cinco anos de idade, ela viajava com o Pai para comprar produtos no Rio Grande do Norte, para as vendas na feira e isso era uma grande aventura.

Dona Maria Laura, ainda bem cedo, lhe confidenciou que o melhor que podia deixar como herança para ela era o saber. Então, Teresinha conheceu os primeiros passos rumo a este saber, numa escolinha de fundo de quintal, “para desasnar”. Assim se davam muitos dos primeiros processos educacionais. Ela aprendeu logo a ler e nem precisou passar pelo Jardim da Infância, pois foi aprovada no primeiro ano escolar do Colégio das Damas. Dona Laura tinha uma vizinha com filhos matriculados nas Damas que incentivou a amiga a matricular a filha. Era a vizinha, Dona Nanci, encarregada de levar e buscar Teresinha na escola.

Era um tempo difícil, onde as marcas da desigualdade começavam a se fazer presentes. No Natal, Teresinha passava horas à frente de casa, á espera do Papai Noel que vinha de carro, na porta de casa, entregar o brinquedo das crianças. Ele sempre parava na porta de Dona Nanci, contratado antecipadamente, com bonecas de plástico, lindas e desejadas pela garota curiosa e inteligente, que tinha vergonha de levar sua bruxinha de pano para brincar na escola, quando era permitido.

Os pais fizeram todo o esforço para que ela estudasse nos melhores colégios, tivesse a melhor oportunidade. Um contraste, com a situação da mãe analfabeta. No olhar de mulher, pode-se ver a doçura da lembrança dos pais que não estão mais aqui. Já se foram, mas seus ensinamentos e referências continuam bem vivos e sendo transmitidos por ela por onde quer que passe.

Nestes primeiros anos escolares, os primeiros confrontamentos. As aulas ministradas por severas religiosas reprimiam a expressão das crianças. Nas lembranças de menina, Teresinha desenha a cena de grupos excluídos, vitimados por constrangimentos e castigos físicos. Era clara a diferença de tratamento entre as crianças mais pobres e as de família mais abastadas. Estas eram sempre elogiadas, tidas como queridinhas. Não pelo comportamento exemplar ou pelas boas notas, mas pelos presentes que as mães mandavam às freiras.

Na verdade, apenas uma professora era amada pelos alunos: Professora Marilita. Ela sim, travava todas as crianças com carinho e respeito igualmente. No dia das crianças, com uma boneca emprestada por Dona Nanci, Teresinha aguardava o momento da foto com a turma, toda formada por meninas, como mandava a boa educação da época. Certo dia, já adulta, fazendo compras em um mercado da cidade, ela reencontrou a mestra, que também a reconheceu. Teresinha aprendeu na pele o lado doce e o amargo da escola, na visão de uma criança. Essa experiência refletiu no comportamento de criança, a ponto de torna-la tímida, insegura e com medo de se expressar. Tudo isso estava sendo impresso em suas memórias e valores.

No ano de 1959, Seu Francisco Evangelista e Dona Maria Laura já tinham nove filhos. Eram nove bocas pra cuidar. Mas para a família simples do bairro da Liberdade em Campina Grande, como gente humilde, nada faltava. Não havia luxo, mas tinha sempre o que comer, vestir e dignidade pra se viver. Dona Laura, com vergonha e constrangida pelo preconceito, tentava esconder com um avental a nova gravidez que despontava aos quarenta e seis anos de idade. Ela temia os olhares curiosos das pessoas, pois sua nora também estava grávida. Nascia a caçula da família: Teresinha Evangelista. Veio assim mesmo, para quebrar padrões.

Na infância, tinha a companhia dos sobrinhos em suas brincadeiras, pois a diferença de idade entre ela e os irmãos era grande. As recordações das bonecas de pano, aquelas bruxinhas de feira, dos móveis de madeira, das panelinhas de barro, tudo despertava na menina um senso de cuidado, de família. Como a mãe tinha sempre muito afazeres, coube ao pai o papel de laço afetivo mais forte. Mesmo grudada na barra da saia da mãe, por quem foi amamentada até os cinco anos de idade, ela viajava com o Pai para comprar produtos no Rio Grande do Norte, para as vendas na feira e isso era uma grande aventura.

Dona Maria Laura, ainda bem cedo, lhe confidenciou que o melhor que podia deixar como herança para ela era o saber. Então, Teresinha conheceu os primeiros passos rumo a este saber, numa escolinha de fundo de quintal, “para desasnar”. Assim se davam muitos dos primeiros processos educacionais. Ela aprendeu logo a ler e nem precisou passar pelo Jardim da Infância, pois foi aprovada no primeiro ano escolar do Colégio das Damas. Dona Laura tinha uma vizinha com filhos matriculados nas Damas que incentivou a amiga a matricular a filha. Era a vizinha, Dona Nanci, encarregada de levar e buscar Teresinha na escola.

Era um tempo difícil, onde as marcas da desigualdade começavam a se fazer presentes. No Natal, Teresinha passava horas à frente de casa, á espera do Papai Noel que vinha de carro, na porta de casa, entregar o brinquedo das crianças. Ele sempre parava na porta de Dona Nanci, contratado antecipadamente, com bonecas de plástico, lindas e desejadas pela garota curiosa e inteligente, que tinha vergonha de levar sua bruxinha de pano para brincar na escola, quando era permitido.

Os pais fizeram todo o esforço para que ela estudasse nos melhores colégios, tivesse a melhor oportunidade. Um contraste, com a situação da mãe analfabeta. No olhar de mulher, pode-se ver a doçura da lembrança dos pais que não estão mais aqui. Já se foram, mas seus ensinamentos e referências continuam bem vivos e sendo transmitidos por ela por onde quer que passe.

Nestes primeiros anos escolares, os primeiros confrontamentos. As aulas ministradas por severas religiosas reprimiam a expressão das crianças. Nas lembranças de menina, Teresinha desenha a cena de grupos excluídos, vitimados por constrangimentos e castigos físicos. Era clara a diferença de tratamento entre as crianças mais pobres e as de família mais abastadas. Estas eram sempre elogiadas, tidas como queridinhas. Não pelo comportamento exemplar ou pelas boas notas, mas pelos presentes que as mães mandavam às freiras.

Na verdade, apenas uma professora era amada pelos alunos: Professora Marilita. Ela sim, travava todas as crianças com carinho e respeito igualmente. No dia das crianças, com uma boneca emprestada por Dona Nanci, Teresinha aguardava o momento da foto com a turma, toda formada por meninas, como mandava a boa educação da época. Certo dia, já adulta, fazendo compras em um mercado da cidade, ela reencontrou a mestra, que também a reconheceu. Teresinha aprendeu na pele o lado doce e o amargo da escola, na visão de uma criança. Essa experiência refletiu no comportamento de criança, a ponto de torna-la tímida, insegura e com medo de se expressar. Tudo isso estava sendo impresso em suas memórias e valores.

Teresinha e a Turma de Dona Marilita, com a boneca emprestada para a foto do Dia da Criança. (Arquivo pessoal)

Teresinha e a Turma de Dona Marilita, com a boneca emprestada para a foto do Dia da Criança. (Arquivo pessoal)

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Da quinta à sexta série, teve a oportunidade de estudar no Colégio Alfredo Dantas, ainda em turma feminina. Mas com um grande diferencial: professores mais abertos a entender às crianças e os esportes.
Sim, foi a pratica de esportes que devolveu à menina a alegria de estar na escola. Conheceu o handebol e se deu bem. Gostava de vôlei e de atletismo também. Teresinha volta a se expressar com mais segurança, apropriando-se do seu espaço, do seu tempo. Sempre foi uma aluna muito estudiosa. Entendeu bem cedo que a educação, o saber eram as preciosidades que lhe fariam vencer. Nunca tirou “uma nota vermelha”, como eram classificadas as notas abaixo da média escolar nas cadernetas e boletins. E foi assim durante todo o fundamental e o período do ensino científico também.

Sempre muito observadora, aprendeu a ouvir o outro e essa qualidade foi descoberta logo cedo, ainda na adolescência. Seus amigos, quando injustiçados na escola ou com problemas familiares, buscavam sempre uma conversa, um conselho. E encontravam na garota ainda tão jovem, um porto seguro, uma palavra tranquila que muitas vezes os fazia refletir. Era uma inclinação natural para o aconselhamento, ao enxergar o dilema do próximo e um querer fazer a diferença.

Estava decidido: Teresinha cursaria Psicologia. Mas, Dona Laura queria que ela fizesse Ciências Contábeis. Mas a vocação venceu. A jovem Teresinha passara no vestibular da primeira turma de Psicologia, da então Universidade Regional em Campina Grande.

Casou-se aos vinte e um anos com Marcos Costa, que sempre a apoiou com carinho e companhia em todos o seus projetos, e o faz até hoje, nesses trinta e sete anos de casados. Formou uma bela família com três filhos; Thatiany, Thiago e Thaiany, todos formados e encaminhados na vida. Tem uma netinha, a Lívia que é a alegria da família.

E, ao longo da caminhada, Teresinha vê a família como a base de tudo, ao ponto de não se enxergar fora dela. E encarando-a como um presente de Deus, Teresinha trouxe essas memórias, esses valores para uma vida com propósitos bem definidos: atuar na área da educação, ter um olhar social mais próximo à realidade das comunidades carentes e fazer a diferença.

 

O início do trabalho como Psicóloga Educacional

Após a aprovação num concurso público de seleção de psicólogo feito pela Prefeitura Municipal de Campina Grande, Teresinha Evangelista iniciou sua carreira como na Escola Municipal Henrique Guilhermino Barbosa. Trabalhando na rede pública há 25 anos, ela não esconde a felicidade e relata o momento em que soube da aprovação na prova seletiva. A partir dali, passaria a atuar na área em que tinha formação. “Começou depois que eu fiz um concurso público em 2005. Quando eu fiz (o concurso) pra atuar na minha área (psicologia educacional), eu fiquei muito feliz”, afirma.
Segundo Teresinha, ao passar no concurso de psicóloga educacional, o objetivo seria trabalhar próximo onde morava. Porém, devido às escolas próximas à sua casa já possuírem outros profissionais da área, ela foi direcionada a trabalhar na pequena escola municipal no bairro do Catolé de Zé Ferreira. “A princípio eu queria ficar próximo da minha casa, porque próximo da minha casa também tinha outras escolas. Mas aí lá já tinha outros profissionais e então fica difícil”, lembra.
Apesar do estranhamento inicial, Teresinha afirma ter encontrado força e propósitos em Deus para realizar o seu trabalho num ambiente escolar que agora seria palco para o começo de seu trabalho educacional e comunitário. “Quando eu vim pra aqui, eu vim até sem querer. Mas como eu sou uma pessoa cristã e eu sei que tudo Deus tem um propósito, quando eu vim pra aqui eu sabia que Deus queria que eu fizesse algo por essa comunidade”, lembra.
Iniciando o trabalho na escola juntamente com outros profissionais, Teresinha recorda o quanto foi difícil esse início da jornada diante de tantos problemas, como indisciplina por parte dos alunos e com os próprios profissionais da instituição que, segundo ela, ainda não possuíam o perfil adequado para trabalhar no meio escolar. “Quando eu cheguei aqui nessa comunidade a gente tinha muitos problemas de indisciplina,”, relembra.
De acordo com Teresinha, o começo do trabalho foi baseado no objetivo da conquista dos professores e dos alunos. “A gente primeiro fez um trabalho de conquista. E aí a gente foi fazendo aquele ‘trabalhozinho’ de sementinha. Todo dia a gente plantava uma sementinha aqui e ali pra poder a gente ver as demandas, que eram muitas”, recorda.
A experiência no Conselho de Direito da Criança e do Adolescente

Eventos coordenados por Teresinha: Dia da Criança com alunos da escola e crianças da comunidade Santa Rosa, Sopão e trabalho educacional. (Arquivo pessoal)

Eventos coordenados por Teresinha: Dia da Criança com alunos da escola e crianças da comunidade Santa Rosa, Sopão e trabalho educacional. (Arquivo pessoal)

 

Após trabalhar como recreadora de creche, surgiu para Teresinha a oportunidade de trabalhar no Conselho de Direito da Criança e do Adolescente. Tendo trabalhado na instituição durante dez anos, a psicóloga educacional considera que essa atividade foi uma experiência rica e que abriu portas para contribuir com o seu trabalho na escola. “Hoje eu considero que foi uma experiência rica porque assim, lá abriu também portas pra poder até contribuir no meu trabalho aqui enquanto escola”, afirma.
Tendo contato com outras instituições sociais, cabia a Teresinha a tarefa da inscrição de todas as instituições que trabalham com crianças e adolescentes. “Como eu trabalhava com o Conselho de Direito da Criança e do Adolescente, eu era quem fazia todo o trabalho de inscrição de todas as instituições aqui em Campina que trabalha com criança e adolescente, (como) por exemplo, CAPES, APAE, PET, esses programas que trabalham com criança, menores infratores, Casa da Esperança 1 e 2. Então, todas essas instituições eu tive acesso de trabalhar com essas pessoas e isso beneficiou muito o meu trabalho enquanto escola, porque a gente precisa sempre dessa relação, desse contato”, afirma.

Hoje ela tem muita facilidade, por exemplo, quando encontra na escola alguma criança com necessidades especiais e pode fazer encaminhamento pra uma APAE, um CAPES. Porque a possuem esse elo, esse contato.
Porém, nesse período, algumas sérias situações sociais de famílias carentes fizeram parte da rotina trabalho da psicóloga. Problemas como fome e falta de leitos, além da negligência dos pais para com as crianças em ambientes e famílias carentes foram situações que Teresinha acompanhou. “Às vezes a gente via aquelas questões de crianças com maus tratos, crianças que não tinham o que comer, o que dormir”, confessa.
Apesar de ter exercido por diversos momentos a difícil tarefa de acompanhar de perto e ajudar a combater alguns problemas sociais e familiares que afligiam as crianças e os adolescentes, Teresinha considera esse período de trabalho no Conselho de Direito da Criança e do Adolescente como uma experiência de grande valia e ressalta que tudo o que o ser humano aprende de novo contribui para o crescimento profissional. “Foi (uma experiência) de grande valia, né? Tudo o que a gente aprende de novo é importante pra o nosso crescimento enquanto profissional”, ressalta.
Em seu trabalho secular na Comunidade de Catolé de Zé Ferreira, onde busca fortalecer aos laços familiares de cada aluno, ouvir a criança, enxergar em que momento o processo educacional pode ter se quebrado, Terezinha traz a bandeira do empoderamento através da educação. Não é fácil para esses meninos e meninas, com oportunidades já tão limitadas, ter a noção clara em suas mentes de que através dos estudos, criarão uma ponte que os levará a construções de seus próprios sonhos. Muitos desses alunos, vem à escola apenas pela merenda que falta em casa mas que na escola é tida como certa.
Como psicóloga, é respeitada e querida por professores, funcionários e principalmente pelos alunos da escola. Que vem ouvir seus conselhos, sorrir com seu jeito doce de orientar e então, refletir sobre a vida.
Não bastasse essa busca em fazer mais que o seu papel profissional oferece, Teresinha atua também como voluntária social em uma comunidade no entorno da igreja em que faz parte, no bairro Santa Rosa em Campina Grande. São cerca de trezentas famílias cadastradas por ela, através de um questionário de diagnósticos que aponta quais as políticas públicas que não chegam à essas famílias. Terezinha não faz assistencialismo barato. Ela corre atrás das autoridades e cobra, pede, incomoda como quem sente na própria pela a indiferença social.
Programas como ‘Chegou o Doutor’, um Ônibus com gabinete odontológico e vem ao estacionamento da igreja, que em parceria com Teresinha, abre suas salas à Comunidade, para consultas médicas de pediatra, ginecologista e clínico na ausência de um posto de saúde próximo que atenda às necessidades daquela população.
Semanalmente, Teresinha dirige um grupo de mulheres que trabalha com as pessoas da comunidade, ouvindo-as, aconselhando-as, direcionando-as aos seus direitos e deveres como cidadãs e, principalmente a cuidar de seus filhos e transformar o conceito de família que muitas vezes é vivenciado por eles.
Há uma preocupação com a fome. Há sim a arrecadação de cestas básicas e direcionamento delas a quem precisa. Há mais que um prato quentinho de sopa. Há uma conversa e um abraço mostrando que elas podem ir mais longe, conquistar espaços.
Há duas datas sagradas para Teresinha, em relação ao seu relacionamento com as crianças da escola e da comunidade: Dia da Criança e Natal. Ela consegue mobilizar vários voluntários nessa época e fazer uma festa onde todos ganham seu presente. Onde todos ouvem uma palavra que ressalta a sua dignidade. Teresinha é muito admirada e querida por todos. Questionada por fazer tudo isso, por ir além de seu papel profissional, ela sorri e diz que faz o que está ao seu alcance. Ela procura espalhar essa visão de que um educador tem que plantar tudo de bom que conseguir na mente e no coração das crianças e adolescentes. Talvez ele nem veja os frutos, mas em algum momento há de florescer.

Teresinha segue animando a quem precisa vencer os obstáculos da vida. Avança agregando valores às ações sociais e enxergando mais que pessoas, enxergando vida em potencial. Faz isso, amparada por sua família, tendo a credibilidade de colegas de trabalho, alunos e irmãos que professam a mesma fé.

Lembram da menininha tímida, que tinha medo de expressar seus desejos e falas? Pois é, ela cresceu, avançou adiante e com um coração grato a Deus, quer que todos à sua volta avancem também, com a mente livre para voar.

Por: Daise Oliveira e Marcos Moraes