Luz, câmera, superação

Conheça a história de Daniel Motta, o jornalista paraibano de 31 anos que saiu da zona rural para cruzar o país produzindo matérias investigativas
Por: Geovanna Teixeira

Vencedor de quatro prêmios com grandes reportagens de importância nacional, o jornalista Daniel Motta deu os primeiros passos na profissão ainda criança, durante as brincadeiras os sabugos de milho eram seus microfones e a câmera era uma caixa da sapato com barbante. Os anos se passaram e o oitavo dos nove irmãos decidiu tornar seu sonho de criança realidade, deixando o Sítio Serrotão, na zona rural de Juazeirinho, para estudar jornalismo em Campina Grande.


Hoje com 31 anos, Daniel fala saudoso da sua infância simples no Seridó da Paraíba e da primeira vez que assistiu televisão, que foi quando se apaixonou pelas telinhas. As dificuldades enfrentadas até ser convidado para trabalhar na rede Record são contadas de forma muito natural por quem aprendeu a vencer todos os obstáculos impostos. Estudar era uma verdadeira missão impossível para Daniel e seus irmãos e, talvez por isso, aos poucos suas companhias foram largando os estudos, restando apenas ele frequentando as escolas precárias e em transportes mais precários ainda. “Eu sempre gostei muito de estudar. As condições não eram boas e tudo era muito difícil. A escola era muito distante, não tinha transporte escolar, quando chovia, precisávamos atravessar um açude. Terminei o ensino fundamental na escola da zona rural e depois fui para a cidade, fazer o ensino médio. O transporte à época era um caminhão ‘pau de arara’. Quando chovia, os alunos chegavam todos molhados na escola. Era um sofrimento”, recordou.

O ingresso na universidade veio com o primeiro vestibular e a opção não poderia ser outra, a não ser jornalismo. Apesar das críticas a respeito da escolha do curso superior, Daniel seguiu firme com seu objetivo de ser tornar um profissional da comunicação e contou com o apoio de sua família. Deixou Juazeirinho para trás de veio para Campina Grande se aventurar no fantástico mundo dos universitários. Daniel confidenciou que sua vontade de crescer profissionalmente era tão grande, que não se permitia fazer nada que o tirasse o foco de sua formação e teve que conviver com muitas dificuldades e apertos.

Apesar dos empecilhos, ele se esforçava para seguir na contramão do mercado que oferece poucas oportunidades para a demanda de profissionais recém formados. Daniel estudava em horário oposto, conversava bastante com os professores para absorver o máximo de conhecimento que podia e fazia de tudo para o tornar um jornalista completo. Ao final do curso, é chegada a hora de sair em busca de um estágio e foi ai que Daniel tomou o seu primeiro – e único – ‘não’, que também serviu como motivação para seguir em frente. “Estava muito preocupado porque já iniciava o quarto e último ano da faculdade e temia concluir o curso e ficar de fora do mercado, sem qualquer experiência. Resolvi, então, bater em todas as portas, claro que começando pelas emissoras de tv, que era meu sonho. A primeira tentativa foi na TV Paraíba, um amigo me falou de uma vaga para estágio e eu fui correndo lá, deixei meu currículo e fiz uma entrevista com o chefe de redação. Resultado: não passei na entrevista para a vaga”, conta.

O ‘não’ recebido pela primeira emissora não desanimou o jovem Daniel, que mesmo sem conhecer João Pessoa, foi lá pessoalmente pedir uma oportunidade ao diretor de jornalismo da TV Correio e por sua determinação, conseguiu o tão sonhado estágio. No Sistema Correio Daniel trabalhou na produção da TV, depois no jornal impresso, onde cobriu grandes eventos e fez matérias investigativas, igual as que seu grande ídolo Caco Barcelos produzira.

Sempre buscando fazer o melhor em suas matérias, o reconhecimento viria. Daniel foi convidado para trabalhar na produção de jornalismo da Record e deixou a Paraíba para embarcar rumo ao coração pulsante do Brasil, São Paulo. “Abracei a oportunidade com toda determinação que poderia haver em mim. Deu tudo certo”, disse. Oito meses após chegar à capital paulista, Daniel foi promovido à repórter investigativo e assim cruza o Brasil atrás de histórias que ainda não foram contatas. Estas andanças país à fora o renderam seus quatro prêmios de repercussão nacional com matérias de cunho investigativos.

Ao Daniel universitário, aquele que passou maus bocados para seguir seus sonhos, o Daniel que hoje atua em uma das maiores emissoras do Brasil manda um recado “Deu e está dando tudo certo. Não se deixe abater por nenhum obstáculo e siga firme forte na luta, aprendendo sempre, cada vez mais, porque o jornalismo é um exercício diário e nesse meio, somos sempre aprendizes”.