Conheça os grupos folclóricos de Pombal

Pontões

GRUPOS FOLCLÓRICOS DE POMBAL ( PONTÕES E CONGOS)

Uma grande característica cultural e folclórica nas cidades do interior, é a devoção a padroeira da cidade, onde em um específico período do ano toda a população festeja essa significativa data, aproveitando esse momento para reunir a família, rever parentes que moram longe, os quais esperam essa data para reencontrar os amigos e todos demonstrarem sua devoção participando das missas e procissões. O que se pode destacar também nessas datas são as apresentações de grupos folclóricos da cidade, que expressam através da dança e da música sua religiosidade.

Na cidade de Pombal, no sertão da Paraíba, esse tipo de tradição é bastante significativa, onde no mês de outubro realiza-se a Festa de Nossa Senhora do Rosário, momento marcante no que se diz respeito a tradição, cultura e religiosidade. Com relação as danças folclóricas podemos destacar três grupos; Os Congos, Reisados e os Negros dos Pontões, que realizam suas apresentações diariamente na semana do Rosário, acompanhando as procissões e missas.
Portanto é importante falar um pouco a respeito dos grupos folclóricos daquela localidade com base em informações fornecidas pelo Pesquisador Verneck Abrantes e o participante e Professor Luiz Barbosa Neto, que a anos participa e organiza os grupos pelo seu grande conhecimento cultural e folclórico regional. Com base em informações colhidas com o Professor Luiz Barbosa, não se têm uma data específica sobre o surgimento dos grupos em Pombal, mas que esses grupos vêm resistindo de geração a geração ao longo dos séculos. Segundo ele esses grupos não só se apresentam em semanas religiosas, mas também em outras datas e locais;
“Os Pontões e os Congos são grupos pertencentes ao ciclo do Rosário, portanto se apresentam durante os festejos religiosos por ocasião da nossa Festa Maior sempre estão presentes, mas também se apresentam em feiras, encontros culturais e educacionais, aniversário da cidade, bem como eventos realizados na Paraíba e em outros estados”.
Sabendo que os grupos folclóricos de Pombal têm a oferecer no que há de melhor de cultura para aquela cidade, uma parte da população e no que se diz respeito a parte governamental infelizmente não contribuem para o enriquecimento folclórico cultural do lugar segundo o professor Luiz Barbosa, que esquece da importância cultural e aumentam os seus focos mais no turismo, esquecendo assim dos seus artistas da terra não só em parte indumentária, mas no dia a dia deles; “ Acho que os nossos conterrâneos esquecem a importância do nosso folclore para o turismo, bem como para história cultural da terra berço da Paraíba, no tocante aos poderes governamentais é necessário não só com as questões da indumentária, mas com as questões sociais, de saúde, moradia e reconhecimento dos seus valores como cidadão e artista.”
Em si tratando da importância comunitária desses grupos, o pesquisador Verneck Abrantes cita que os grupos são
Reisados_de_Pombal.jpg congos

GRUPOS FOLCLÓRICOS DE POMBAL ( PONTÕES E CONGOS)

considerados cartões postais da cidade e importantes para a história local, segundo ele a grande dificuldade da participação dos jovens nesses grupos é a falta conhecimento da cultura local ; “Os nossos grupos retratam um valor significativo para nossa História, para o turismo, para nossa educação, enfim os nossos grupos também são considerados como cartão postal, os jovens deveriam participar, mas infelizmente, a grande maioria dos jovens desconhecem nossa história e a importância do nosso folclore.”

Para o professor e participante Luiz Barbosa, a real mensagem que o grupo passa para o público é a religiosidade e a devoção, mostrando isso ao longo dos anos, sempre procurando se prevalecerem apesar das dificuldades; “O grupo Pontões tem demonstrado ao longo dos anos a devoção e religiosidade, servindo a Irmandade do Rosário como Guarda de Honra, os Congos mostram nos seus movimentos e cânticos sua forte religiosidade, devoção e a coroação do Rei.”
Grupos folclóricos e principais características:
Os congos;

Segundo o estudioso Verneck Abrantes e o Professor e participante Luiz Barbosa esse grupo é composto por 12 membros, que desde sua origem acompanham o grande dia da Festa do Rosário, acompanhando a procissão pelas principais ruas da cidade até a igreja, onde assistem a missa e outras cerimônias religiosas.

 É o grupo de característica mais marcante no folclore pombalense, a indumentária: calça branca, saia rodada e rendada, camisa vermelha e azul, na cabeça usam um chapéu em forma de cone na cor da camisa enfeitado com fitas coloridas, na mão um maracá, enfeitado com fitas multicoloridas, se apresenta com várias músicas no seu repertorio original, realizando coreografias, com um entrecho dramático.
Depois saem em visita as famílias da cidade, em duas alas, com seus instrumentos musicais nas mãos, encabeçadas pelo secretário e embaixador, ao centro o “reis”, de paletó e guarda-chuva aberto, apetrecho que sempre fez parte do traje real. Durante o cortejo, os Congos nem cantam nem dançam, raramente rufam os maracás. Chegando à residência escolhida para dançar, pedem licença e entram para o terraço ou sala de visita. O dono da casa oferece uma cadeira ao “reis” e em sua observância inicia-se a dança que é bem característica. Depois da exibição, o dono da casa oferece bebidas ou oferendas em dinheiro. Os Congos fazem poucas exibições, geralmente em quatro residências diferentes, depois se retiraram para suas casas ou vão aos bares beber.
Os Negros dos Pontões;

É um grupo mais numeroso, formado entre 18 e 22 membros, exibem-se em dois cordões, o encarnado e o azul. O grupo geralmente mora na zona rural, onde quase todos os componentes são da mesma família. Geralmente usam trajes coloridos e lanças razem terminados em maracás, enfeitados com fitas multicoloridas e acompanhados por uma banda cabaçal, constituída de tambor, prato, fole e pífano, além dos maracás das lanças e fazendo seu percurso somente ao som dos instrumentos sem utilizar a oralidade. No sábado anterior ao domingo da procissão alguns membros da Confraria do Rosário percorrem a feira em busca de doações de donativos que são destinados a conservação da igreja. Esses membros da confraria geralmente estão acompanhados dos Negros dos Pontões, os quais dançam e bebem cachaça, e com suas lanças enfeitadas enchem a feira com músicas regionais.

 Reisados; 

O Reisado é composto por 16 membros, considerado o grupo que tem maior variedade nos passos e repertório, esse grupo pertence ao período natalino, os ritmos das músicas e danças são marcados por poucos instrumentos; um violão, um pandeiro, um apito, sapateado e o canto rimado com o conjunto. O Reisado apresenta-se com “reis”, o secretário, o general, o mateus, a burrinha, além dos folgazões. Além de cantos, eles fazem apresentações dramáticas encenadas, que através de uma revolta na corte contra o rei, comandada pelo secretário, onde o mateus verifica a duração da guerra em um relógio de ponteiro em que é encerrada com uma exaltação a bandeira brasileira.